por Jéferson Lima

Há muitas perguntas que não podem ser respondidas sobre o curta-metagem “Ouroboro”, de Maurício Antonângelo, exibido na tarde de quinta-feira no Teatro Nacional Claudio Santoro, durante o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Mas há algumas conclusões possíveis, mesmo para quem não gosta do tema sexual. O filme tem uma narrativa densa, consistente, com planos elaborados com cuidado e uma luz equilibrada e em tom de mistério.
“Ouroboro” é o único catarinense na mostra competitiva e quando é exibido causa desconforto na platéia. “Eu sempre acho que vou apanhar do público ao final da sessão”, diz Antonângelo. A temática é complexa, e trata de uma relação sadomasoquista entre mãe e filho, cujo grau de parentesco só é percebido nos últimos minutos da projeção. Mas o que sempre ocorre é o aplauso, mesmo diante do crítico público do Festival de Brasília.
No debate ao final da sessão de quinta-feira, os expectadores queriam saber de Antonângelo quem é o pai da criança: do filho ou o marido, já que a mulher aparece grávida no final do filme. “Esta é uma pergunta que eu não posso responder”, reflete Antonângelo.
O diretor diz que fez uma obra aberta e prefere ouvir as impressões do público sobre o curta do que falar das suas escolhas narrativas. É possível até mesmo que os personagens não sejam mãe e filho, mas sim um casal vivendo uma fantasia sexual. O filme foi produzido na Unisul em 2007, durante a conclusão do curso de cinema de Antonângelo e com o apoio da Plural Filmes. A fotografia é de Bernardo Garcia.
Em cena, há somente o casal, interpretado pela atriz Luciana Holanda e pelo estreante Renato Grecchi, de 15 anos, que passou no teste de elenco e queria muito fazer o curta. Mas como a temática de “Ouroboro” é adulta, Antonângelo precisou de uma boa e longa conversa com os pais de Grecchi para rodar o filme com o jovem ator.
(A mesma matéria foi publicada no Variedades do DC de hoje, mas por falta de espaço a versão impressa está com alguns cortes. Aqui vai o texto na íntegra)